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Venezuelanos em Vitória: alunos estrangeiros no ES arrecadam tapioca e fubá

Apesar de os venezuelanos estarem sendo assistidos pela prefeitura, o grupo propôs a ação para acolher e relembrar a cultura de onde os indígenas viviam

Gabriel Barros

Redação Folha Vitória
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Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
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Um grupo de estrangeiros que estuda na pós-graduação da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) tem realizado ações para ajudar na acolhida nos indígenas venezuelanos que chegaram a Vitória.

Em agosto, os estudantes e voluntários realizaram uma atividade cultural com o primeiro grupo, que desembarcou na Capital capixaba em 16 de agosto. As 25 pessoas foram deixadas por um ônibus enviado pela Prefeitura de Teixeira de Freitas, na Bahia.

Um segundo grupo chegou a Vitória na manhã da última terça-feira (30). As 21 pessoas partiram de Itabuna, também na Bahia, com destino a Vitória. Todas as pessoas pertencem a mesma etnia do grupo que já estava na cidade.

As 46 pessoas estão em um abrigo na região de São Pedro, em Vitória, e tem recebido apoio da assistência social da prefeitura da Capital.

Iniciativa promove acolhimento e busca relembrar cultura indígena venezuelana

Sensibilizados com a situação dos indígenas venezuelanos, os estudantes da Ufes e de outras instituições de ensino da Grande Vitória participaram de uma ação promovida pela Rede Waraos e pelo Projeto Ninhos para arrecadar doações para comprar goma de tapioca e farinha de fubá. 

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O doutorando em Filosofia e integrante da Rede Waraos em Vitória, Ricardo Molina, conta que a ideia surgiu para acolher os venezuelanos.

"Vimos que eles chegaram e quisemos fazer algo. Sabemos que eles estão sendo assistido pela prefeitura, mas quisemos fazer algo além. Como somos estrangeiros, sabemos que ficamos com saudade da nossa música, das nossas comidas e quisemos fazer algo por eles", disse.

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Ricardo, que é natural do México, revela que, a partir de uma conversa com os venezuelanos, os estudantes tiveram a ideia de arrecadar doações para comprar a goma e a farinha, ingredientes usados na cultura dos indígenas venezuelanos na fabricação de pães. 

Segundo Ricardo, foram arrecadados cerca de R$ 700. Com o valor, eles compraram os alimentos que foram entregues na manhã desta sexta-feira (02). Veja algumas fotos da entrega:

Reprodução/Arquivo Pessoal
Reprodução/Arquivo Pessoal
Reprodução/Arquivo Pessoal
Reprodução/Arquivo Pessoal

Prefeitura de Vitória pede apoio a órgãos para dar assistência a venezuelanos

A secretária de Assistência Social de Vitória, Cintya Schulz, afirmou durante coletiva de imprensa na última terça-feira (30) que a prefeitura da Capital não está recebendo apoio de nenhum órgão federal ou estadual, e pede apoio destes órgãos para prestar assistência aos venezuelanos.

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O subprocurador-geral de Vitória, Ricardo Melhorado Grilo, disse que o município pretende fazer uma petição para que o Estado e os municípios da Bahia de onde os venezuelanos estão partindo assumam suas responsabilidades.

"A nossa Constituição prevê a proteção ao índio, independente da nacionalidade. Daí a importância da Funai em criar um plano de ação. O Estado do Espírito Santo, a União, a sua cota de responsabilidade. Já encaminhamos ofícios e ainda não tivemos retorno", disse.

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O que dizem as prefeituras e órgãos envolvidos?

Após o primeiro grupo ser deixado no Espírito Santo, o Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF/ES) instaurou um inquérito civil a fim de acompanhar o caso e oficiou órgãos públicos responsáveis para adotar as medidas cabíveis a fim de garantir que as políticas de assistência social sejam aplicadas.

O MPF/ES disse, na ocasião, que entende que o encaminhamento do grupo pela prefeitura da cidade da Bahia foi irregular. Na terça-feira (30), o órgão informou que soube da chegada do novo grupo, que está acompanhado de perto.

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Em nota, a Prefeitura de Itabuna informou que o grupo de venezuelanos estava na cidade de Jequié, na Bahia, e entrou em contato pedindo ajuda com passagens de ônibus para se juntar aos familiares, que já se encontravam na Capital capixaba.

A Secretaria de Direitos Humanos do Espírito Santo disse, em nota, que o Governo do Estado também está organizando, por meio de suas secretarias, a composição de um Grupo de Trabalho do Estado para oferecer condições de uma vida mais digna para essas pessoas.

A Funai, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Cidadania e Casa Civil também foram procurados pelo Folha Vitória, mas até a publicação não tivemos retorno. A reportagem será atualizada quando recebermos um posicionamento.

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