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Geral

Estado investe na rede própria de saúde e amplia atendimento

Com a expansão no número de leitos durante a pandemia do coronavírus, o governo do Espírito Santo diminuiu o tempo de espera por vaga de UTI para 24 horas

André Vinicius Carneiro

Redação Folha Vitória
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Foto: Divulgação
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O enfrentamento à covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, exigiu investimentos em adequações nos hospitais públicos e privados, aquisição de novos equipamentos, contratação de profissionais de saúde e abertura de novos leitos nos hospitais, que certamente ficarão como legado.

A corrida para a construção e a inauguração de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) no Brasil deve ter um resultado longo. Nos meses mais críticos da pandemia, dezenas de leitos foram entregues para atender à alta demanda de pacientes, mas, com o fim da pandemia, em um futuro, as gestões preveem o remanejo das unidades para outras especialidades.

Até o dia 24 de agosto, o governo do Espírito Santo investiu mais de R$ 262 milhões para o enfrentamento contra o coronavírus. Só na Secretaria Estadual de Saúde, foram mais de R$ 200 milhões, montante usado para aquisição de EPIs, insumos, novos respiradores, abertura e adequação de leitos na rede própria de saúde, compra de leitos, kits de testagem, contratação de pessoal e obras. 

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O governo do Estado, no período de máxima expansão de leitos de UTI, chegou a ter em funcionamento 705 leitos de UTI disponíveis para pacientes com o coronavírus. Durante a pandemia, foram abertos 585 novos leitos de UTI – sendo que 106  já existentes foram transformados em UTI-covid. Além dos 585 novos leitos, o governo do Estado abriu 100 novos leitos de UTI para atendimento a pacientes com outras doenças.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, ainda em fevereiro deste ano, com a pandemia instalada em diversos locais do mundo, foi definida uma estratégia no âmbito estadual de expansão de leitos na rede própria de saúde, aliada à uma reorganização da rede de atenção à saúde. 

"Em nenhum momento, nosso sistema de saúde entrou em colapso: não faltou leito, não faltou médico, não faltou medicamento. Como legado dessa estratégia, já estamos vivendo o processo da possibilidade de mais novos leitos de UTI nos hospitais estatais serem revertidos para atenderem pacientes com outras doenças. Uma rede que antes tinha 360 leitos de UTI, no pós-pandemia terá mais de 700 leitos para atender a população capixaba ", afirmou Nésio Fernandes. 

Segundo o secretário, há uma tendência de aumento na procura por vagas de internações por outras doenças. Ele acredita, no entanto, que no futuro, a rede pública de saúde consiga reduzir o tempo de espera por um leito de UTI nas unidades de pronto-atendimento do estado de três dias para até 24 horas.

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"A meta da Secretaria Estadual de Saúde é estabelecer um prazo máximo de 24 horas para garantia de acesso a qualquer leito de UTI ou de enfermaria que seja solicitado em qualquer unidade hospital do Espírito Santo. Esse tempo de espera já chegou, em alguns casos, há quatro dias de espera. Atualmente, nós estamos muito próximo de atingir essa meta", avaliou o secretário.

A professora e pós-doutora em Saúde Coletiva, Elda Bussinguer, diz que por muito tempo o Espírito Santo viveu um período de pouca ampliação do número de leitos de UTI nos hospitais públicos, que fossem compatíveis com a demanda diária. Agora, com a ampliação e reorganização do atendimento, a realidade, na opinião dela, poderá ser diferente. 

"Esses novos leitos poderão ser usados para outras doenças. É bem provável que com a expansão e reestruturação dos hospitais públicos, talvez a gente compre menos leitos da rede privada. Talvez agora o Estado consiga atender àquelas pessoas que ficaram desassistidas. Então, nesse sentido de ampliação de leitos de UTI, principalmente, o pós-pandemia será vivenciado a partir de uma utilização desses leitos", afirmou a pós-doutora. 

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Ouça a entrevista com a pós-doutora em Saúde Coletiva, Elda Bussinguer, sobre o legado da pandemia para o Espírito Santo:

Entrevista com a pós-doutora em Saúde Coletiva, Elda Bussinguer

Também durante a pandemia, foram adquiridos aproximadamente 600 novos respiradores, um investimento de mais de R$ 35 milhões. Além disso, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, 1.740 profissionais de saúde foram contratados desde o início da pandemia, sendo mais de 200 médicos e cerca de 270 enfermeiros. 

"Quando passar a pandemia, se eu demitir esses profissionais, eu fecho leitos. Então, quando eu amplio o número de leitos, eu preciso, necessariamente, ampliar o número de profissionais. Eu preciso ter médico, fisioterapeuta e técnico de enfermagem para cada dois leitos de UTI. Assim, a saúde vai se constituindo na principal plataforma dos governos. A gente teve um avanço gigantesco e, no pós-pandemia, esse legado precisa ser preservado", garante o secretário estadual de saúde. 

Confira a entrevista com o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes:

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O secretário afirmou também que, no momento em que a pandemia cessar, será possível reconhecer uma nova rede hospitalar estadual: o Hospital Roberto Silvares, em São Mateus, antes da pandemia tinha 20 leitos de UTI e passará a ter 40; o Hospital Geral de Linhares, antes com oito de UTI, terá 28; o Hospital Sílvio Ávidos, em Colatina, tinha 16 leitos de UTI e poderá chegar a 54 até o final da pandemia.

“É uma ampla expansão do número de leitos nos hospitais próprios e quero destacar ainda o Hospital Jayme que, tirando a maternidade e outros leitos adulto, tinha 60 de UTI e hoje está com mais de 250 e se tornou o segundo maior hospital referência para tratamento da covid-19 do Brasil, perdendo apenas para o Hospital das Clínicas de São Paulo. O Jayme conta com uma equipe altamente competente, capacitada para lidar com pacientes críticos”, pontuou Fernandes.

Foto: Divulgação/ Sesa
Hospital Dr. Jayme Santos Neves conta atualmente com mais de 250 leitos de UTI
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Avaliação que o diretor-geral do Hospital Estadual Dr. Jayme Santos Neves, Rogério Griffo, concorda. Segundo ele, foram investidos mais de R$ 19 milhões em adequações, contratação de pessoal, aquisição de equipamentos, entre outros.

"O hospital Jayme Santos Neves é uma estrutura moderna, bem ampla. São mais de 400 leitos, entre enfermaria e UTI, para atendimento à população. Devido a pandemia do coronavírus, tivemos uma adequação importante no perfil dos nossos leitos. Além disso, 900 profissionais foram contratados. Temos hoje equipes que atuam 24h na instituição. Foi necessário investir fortemente e, hoje, nossa equipe está capacitada para o atendimento", afirma o diretor-geral do hospital. 

Entrevista com o diretor-geral do Hospital Dr. Jayme Santos Neves

Reestruturação

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, em março deste ano, a Secretaria Estadual de Saúde investiu mais de R$ 29 milhões na reestruturação de adequação de hospitais públicos, como o Hospital Dório Silva, na Serra, e o Hospital Estadual de Vila Velha (HEVV). 

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Segundo a Sesa, o hospital em Vila Velha vai passar a ter 127 leitos, entre enfermaria de isolamento, semi-intensivo e leitos de UTI. A proposta da Sesa é transformar a unidade em retaguarda para atendimento na Grande Vitória, mudando o perfil do hospital para alta complexidade. A iniciativa faz parte do trabalho de remodelagem das unidades no pós-pandemia. 

"Nós conseguimos, de fato, como estratégia para ter esse legado, antecipar muitas entregas que estavam sendo esperadas para o final do governo. Essas antecipações vão permitir para que a gente consiga ter muito mais resolutividade e autoridade na garantia do acesso à saúde pela população capixaba", disse o secretário de Saúde, Nésio Fernandes.

A reorganização da rede de atenção hospitalar permitiu uma mudança do perfil de hospitais e ampliação de alguns serviços. O Hospital Central, por exemplo, que antes tinha 18 leitos de UTI, terá 38 com ampliação da oferta de neurocirurgia. “O Central é um hospital de excelência, gerido pela organização social Santa Catarina que recentemente teve publicações internacionais de trabalhos produzidos dentro da unidade”, explica o secretário Nésio Fernandes. 

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Outro exemplo de serviço é o de atenção ortopédica que abriu 70 leitos de enfermaria e 10 de UTI no Hospital da Associação dos Funcionários Públicos em Vitória. Também foram ampliadas algumas referências médicas com o Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam) para atender especialidade que antes eram ofertadas no Hospital Dório Silva.

“A reorganização da rede levou em consideração também a contratualização da Clínica dos Acidentados para atendimento de pacientes clínicos. O conjunto dessas mudanças de perfis resultaram na garantia de que o Estado pudesse administrar o crescimento da pandemia e a expansão da oferta de leitos hospitalares”, frisou Fernandes.





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